2022-04-13

RETRATINHOS DEPRIMENTES sobre o PARLAMENTO, já lá vai mais de um Século.

 

Por Fialho de Almeida (1857-1911), in “Os Gatos” (1889-1894).

«Miando pouco, arranhando sempre, e não temendo nunca.»

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«GOSTO DO PARLAMENTO COMO GOSTO DE TOIROS, para me estontear um instante na mancha ondeante das cabeças, nos burburinhos de entrada e de saída, e finalmente, no investir do primeiro bicho.

Mas vai que dez minutos volvidos, já todo o espectáculo se me tem repintado nítido, na retina; e destruída a ilusão panorâmica da cena, o que resta são TRISTES FIGURINHAS QUASE GEBAS, garbosas sem nobreza, audazes por simples dever profissional, e tão reumáticas, tão nulas, que, mesmo sob costumes de gala, se me afiguram votadas a uma vala de desdém precoce, e de misericordioso esquecimento.

PASMA-SE COM O EFEITO DA CHUSMA DE IDIOTAS, QUE LÁ EM BAIXO GRASNAM, À MISTURA COM VELHOS ABORRECIDOS, COM ESTADISTAS MANCOS; e quase faz pena ver agitarem-se inutilmente, entre o rir de uns, os apartes doutos, a saída destes, e as costas voltadas daqueles, duas figuras ou três, de revoltados.

A fatalidade quer que o meu país, ao aproximar-se a hora derradeira, tenha a assisti-lo A COMUNIDADE DO PIOR QUE AS GERAÇÕES TÊM PRODUZIDO. Não há escritor falhado, não há filho de conselheiro hidrocéfalo, não há ricaço pândego, traficante odiento, cínico velho, bacharel vadio, amanuense inútil, que ao fazer autópsia de si mesmo, reconhecendo-se falho, não tenha apelado para este HOSPÍCIO DE S. BENTO, ONDE NÃO TER CABEÇA RENDE TRÊS MIL RÉIS POR DIA, SOBRE A VANTAGEM DE SE NÃO IR PRESO, E DE SE PODER ARRANJAR, ÀS TENÇAS DA ELEIÇÃO, PARA O RESTO DA VIDA, UMA CHUCHADEIRA BUROCRÁTICA.

Oh, Santo Deus, que tipos! ANTIGAMENTE METIAM-SE OS MICROSÉFALOS NOS ASILOS. (…) O ESTADO GALARDOA A ESTUPIDEZ POR FORMA A IMPÔ-LA COMO TALENTO, E A EXALTÁ-LA COMO VIRDUDE CÍVICA RARÍSSIMA.»

in. Fialho de Almeida, «Os Gatos (1889-1894)»

Nota: Mais de um século depois, continua tudo na mesma…


2021-11-25

Poeta Manoel Tavares Rodrigues-Leal (1941-2016).


Um olhar sobre Fernando Pessoa 


Filme documentário: "Pessoa, persona, pessoa como eu".

Um olhar sobre Fernando Pessoa – por Manoel Tavares Rodrigues-Leal.

Realização: Luís de Barreiros Tavares e Daniel Monteiro (Maio - 2020).

Este filme documentário foi realizado no âmbito da Edição Crítica "Manoel Tavares Rodrigues-Leal evocando e ecoando Fernando Pessoa [118 poemas] na Revista "Pessoa Plural" Junho - 2020 - Agradecimentos a Jerónimo Pizarro.

"Pessoa, persona, pessoa como eu" (verso de um poema de M. T. R.-Leal).




Obrigado por este filme-homenagem ao meu bom amigo Mamoel Rodrigues-Leal cujos contemporâneos não lhe souberam dar o devido valor. Saudades das longas conversas à mesa do café (Moinho Vermelho, entre outros) e na Biblioteca Nacional de Lisboa. 
Jamais o esquecerei...


2021-10-12

O custo da Monarquia Espanhola vs República Portuguesa



O top 10 dos países com melhor desenvolvimento humano, maior PIB (entre outros) são monarquias

2021-08-28

Desmontando o maior negócio de todos os tempos: Prof. Luis Carlos Molion


O embuste das alterações climáticas patrocinadas pela ONU,
a soldo da esquerda.
Tudo isto para nos extorquir milhões anuais nos nossos impostos.


2021-08-23

O EMBUSTE: de onde vêm as Alterações Climáticas?

Em cerca de 50 anos, 
ao terror do arrefecimento, 
sucedeu o terror do aquecimento, 
e por fim o terror das "alterações climáticas"... 
Relativamente a quê?


O EMBUSTE DO AQUECIMENTO GLOBAL – Lisboa

 


HÁ 90 ANOS JÁ ERA ASSIM...
(59º centigrados em Lisboa, no ano de 1930)

Com o patrocínio da ONU, tomada de assalto pela esquerda, estamos a assistir ao maior embuste dos tempos modernos. 
Uma verdadeira farsa para nos impor novos modelos de negócio relativos às novas formas de energia, assim como para nos massacrar com impostos.
E ninguém de revolta contra esta cáfila ...






O EMBUSTE do AQUECIMENTO GLOBAL

 


O EMBUSTE do AQUECIMENTO GLOBAL é propagado por ignorantes ao serviço de escroques como EMMANUEL MACROM ou GEORGE SOROS e da sua “Open Society Foundation”, os quais se prepararem para assaltar o nióbio da AMAZÓNIA (o maior recurso da actualidade), mas não surtirá o efeito desejado perante o esclarecimento da população em geral.

Muito menos servirá para as aves de rapina do Parlamento Europeu e dos corruptos que nos governam, a pretexto das alterações climáticas (cíclicas há milhões de anos) nos esmifrarem com taxas de carbono e impostos ambientais que "reflitam os custos climáticos", impondo-nos uma fiscalidade cada vez mais elevada sobre as emissões de CO2 (esta propostos pelo FMI, um organismo financeiro, agora imensamente preocupado com a ecologia...).

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A factualidade desmente estes farsantes e corruptos, alguns deles de uma ignorância confrangedora que apenas visa assaltar os nossos bolsos para distribuírem o produto do saque a seu belo prazer, assim como para nos imporem soluções tecnológicas com as quais nos vão continuar a saquear.

Estamos consciente de enfrentarmos alguns problemas graves de poluição, os quais jamais se resolverão com o saque generalizado que nos impõem.

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Uma simples foto actual, por si só demonstra a gatunagem que aqui denunciamos:

A Sint-Luciavloed afetou o norte da Alemanha em 1287 (SERIA "AQUECIMENTO GLOBAL?), matando aproximadamente 80.000 pessoas numa das maiores inundações registadas história. 15,000 pessoas morreram no Burchardi Flood em 1634 (SERIA "AQUECIMENTO GLOBAL?), nas cheias de 1717 (SERIA "AQUECIMENTO GLOBAL?), 14,000 pessoas morreram na Alemanha no Christmas Flood.

Em 1825 também na Alemanha deu-se o Grande Dilúvio Hallig, uma enchente devastadora que ocorreu em 1825, na qual cerca de 1.000 pessoas morreram afogadas, em 1952, 2007, 1889,1888, 2001, 1978 e 2006, também as cheias foram muito piores, como a fotografia documenta.

OS GRANDES NEGÓCIOS DA FERRUGEM.



Mais uma vez, pelas mãos dos mesmos, vamos bater na parede... (Jul.-2020). 

*Em 2001 (14.º Governo presidido por António Guterres, 1999–2002): — A CP, presidida pelo socialista Crisóstomo Teixeira, mandou destruir 30 carruagens de passageiros - muitas das quais em bom estado -, tendo a empresa de sucatas de Manuel Godinho (arguido no processo Face Oculta) procedido à sua demolição na Estação do Bombarral onde foi montado um estaleiro provisório para esse efeito. 

*Em 2016 (21.º Governo presidido por António Costa, 2015–2019): — A CP tem à venda um lote de 91 veículos ferroviários, composto por carruagens e vagões destinados a sucata, cujo caderno de encargos, de tão transparente que seria, inclui uma cláusula de “sigilo e publicidade” ... 

*Em 2020 (22.º Governo presidido por António Costa, 2029–?): — A CP, por iniciativa do socialista Pedro Nunes Santos (ministro das Infra-estruturas), num excelente negócio, comprou a Espanha 51 carruagens “forradas” a amianto que no país de origem iam para a sucata... 
Bons negócios faz esta gente: vende 121 carruagens, muitas delas ainda em estado de funcionamento, para comprar 51 carruagens de sucata espanhola. Nestes lotes de composições ferroviárias há vagões históricos com interesse patrimonial elevado que vão ser vendidos a peso, havendo em Portugal núcleos museológicos com interesse por este acervo. (https://www.tribunaalentejo.pt/.../sucata-da-cp-um...
Vá-se lá entender estes bárbaros e a sua tendência para o negócio da ferrugem… 
Negociatas ? ou o que mais será ? 
«Somos um País sempre aflito com dinheiro e repleto de malucos a gastar o pouco que existe em perfeitas idiotices.»

Obs: 
E, ao que parece, se não for travado por gente honesta, vêm aí, pelas mãos dos mesmos, as negociatas do "hidrogénio verde", que para muitos especialistas é outro negócio ruinoso que já chamou a atenção de algumas fontes judiciais e até valeu alguns insultos de um histriónico governante a um especialista da matéria que não emite opinião favorável...

J.T.

2021-08-06

ROMEU ZEMA (n.1964), governador de Minas Gerais, lava a loiça e dá recados a políticos.

 





ROMEU ZEMA (n.1964), bisneto de grandes empresários de origem italiana e ele próprio gestor de sucesso de um grupo familiar composto por empresas que operam em cinco ramos de actividade.

Atual governador do estado de MINAS GERAIS e ex-presidente do Conselho de Administração do Grupo Zema, cargo que exerceu de 1990 até o final de 2016, viria a ser eleito pelo PARTIDO NOVO de Jair Bolsonaro para governar o estado de MG com 72,80% dos votos numa segunda volta em 2019, quando as sondagens (á portuguesa?) lhe davam inicialmente apenas 3% das intenções de votos...

Paulo Brant (1.º da esq.),
Lisboa, «Doca de Santo».

Tem como seu vice-governador, o também competente e afável empresário PAULO BRANT (n. 1952), economista de formação, descendente do abastadíssimo militar, político e diplomata Marquês de Barbacena (1826), que orgulhosamente temos por amigo de muitos convívios em Belo Horizonte e em Lisboa.

ROMEU ZEMA (n.1964), ao contrário dos políticos salafrários que nos governam por aqui, ganhou as eleições com um discurso de austeridade a fim de evitar os gastos desnecessários e acautelar a então depauperada a situação financeira do grande Estado de Minas Gerais, que é 6 vezes maior do que Portugal e tem mais do dobro da população portuguesa.

Como exemplo de integridade e coerência, sempre que possível, viaja em voos comerciais recusando o uso da luxuosa frota de aeronaves executivas ao serviço do estado de MG.

Logo que eleito, em relação à polícia, então miseravelmente remunerada, fez um reajuste de 41% em 3 anos, que foi alterado sob pressão do PT. Decretou, entre muitas outras medidas de contenção de custos, a extinção da condição especial que permitia que o Palácio das Mangabeiras (da autoria do arquiteto Oscar Niemeyer), fosse a residência oficial dos governadores do estado, com o argumento de que “políticos não devem morar em palácios”, para deste modo “reduzir privilégios, colocar as contas em dia e o cidadão em primeiro lugar”...  

Residente em Araxá, cidade situada há cinco horas de Belo Horizonte, o governador decidiu alugar um modesto imóvel próximo à Cidade Administrativa do Governo de Minas Gerais, onde despacha.

Que os degenerados políticos portugueses desta malfadada 3.º República, ponham os olhos na simplicidade e honestidade desta gente que abnegadamente está na política com o fim de servir, e não, qual deslumbrados vindos da bouça, apenas com o intuito de mais facilmente deitar a mão ao pote...

Belo Horizonte, Palácio das Mangabeiras
(residência oficial dos governadores)


Romeu Zema & Paulo Brant










2021-07-09

Eu tinha um sonho; o sonho de contribuir para um mundo perfeito… *por Carlos Santos




O dia acordou sorridente para todos, menos para esse grupo de sonhadores que hoje carrega sobre os ombros a sensação de que, a qualquer momento, o céu lhe irá cair em cima.

Professores que investem por esse caminho sulcado até à escola vazia de alunos, carregando na mala o peso das bombas-relógio que alguns lhes deixaram.
Conscientes de serem o elo mais fraco, nestes dias do juízo final (para os professores), ir para as reuniões de avaliação tornou-se numa provação e no derradeiro atentado à dignidade profissional e à verdade do ensino. Contrariamente a qualquer cidadão que, aos olhos da justiça, é considerado inocente até prova em contrário, o professor vai para as reuniões para ser julgado, forçando-o a ir preparado para se defender, pois já é culpado até prova em contrário; terá de conseguir demonstrar ter feito tudo o que estava ao seu alcance para que o aluno conseguisse passar de ano. Este é o dia em que todo o trabalho efetuado ao longo do ano baseado em tudo aquilo que aprendeu na sua formação e se propôs defender ao longo da sua carreira, em breve irá ser varrido para debaixo do tapete e substituído pelo politicamente correto.
Simplificando: ao longo do ano o professor tem a obrigação de elaborar e preencher todo o género de documentos, grelhas, planos e afins, para que o processo educativo seja rigoroso e justo e, no fim, passam todos, se não a culpa é dele que falhou.
Contudo, não deixa de ser curioso que os professores estejam agora a provar do próprio veneno, uma vez que, sempre que o ministério sugere algo, nas escolas sejam os próprios professores a reproduzir essa orientação superior em milhentos documentos para infernizar as suas próprias vidas.


É desanimador ser dominado por um sistema de ensino subvertido que nivela por baixo. No fim do ano, os alunos que realmente se esforçaram, ao constatarem que os colegas que não cumpriram, não se aplicaram, nem quiseram saber, foram premiados com positiva e passaram de ano, acabam por se desmotivar devido a essa injustiça, reconhecendo que o seu esforço foi inglório. Uma escola, que anda tão obcecada com os alunos que não querem aprender, multiplicando-se em planos, apoios, pedagogias e estratégias (tudo bem condimentado com imenso papelório), marginaliza os alunos que verdadeiramente se interessam, cumprem, mas, como não dão trabalho nem pesam negativamente nas estatísticas, ficam banidos para segundo plano. Suponho que esta seja, talvez, a maior frustração dos professores ao findar um ano – os alunos esquecidos; os alunos empenhados que foram segregados pelo sistema em favor daqueles que gozam com tudo isto.


Os alunos que absorvem o tempo dos professores ao longo e no final do ano letivo, habituados a fazer o que querem em suas casas, a não aceitarem um “Não” e a verem satisfeitas todas as suas vontades – assim como progenitores com dificuldade em saber assumir o papel de pais – nunca são responsabilizados. Pelo contrário, os professores são quem é sempre chamado a prestar contas sobre o insucesso dos alunos e (de acordo com o projeto MAIA) a justificar todos os níveis negativos, comprovando que as reuniões de avaliação de final de ano servem, essencialmente, para avaliar os professores e as escolas.
Em pleno gozo das suas férias, muitos pais e os seus rebentos estão pouco preocupados, enquanto o desgraçado do professor está na escola, esgotado e pressionado, a tentar justificar a justeza de dar negativa a alunos que nada fizeram ao longo do ano. O atual quadro normativo responsabiliza o professor pela preguiça dos alunos e pela irresponsabilidade parental dos progenitores.
Mas, no fundo, para quê que pais e filhos se hão de chatear, se já sabem que a negligência compensa e que tudo está formatado para premiar a mediocridade culpabilizando o docente?
No meio de todo este modelo de servidão dos professores, montado para agradar aos pais e alunos e para as escolas galgarem mais uns lugarzitos no ranking, todo o processo educativo transformou-se numa enorme fraude.
Onde fica, então, a responsabilidade do principal agente neste processo – o aluno?
Qual a razão de não ser chamado a responder aquele que é o maior responsável por esse jovem – por algum motivo chamado de encarregado de educação?


Numa sociedade em delírio carregada de direitos, cujos deveres ficaram apenas reservados para os professores, ultimamente, os todo-o-poderosos encarregados de educação e os alunos só são chamados para avaliarem o grau de satisfação pelo serviço que lhes foi prestado pela escola e pelos professores; em suma, para avaliar os professores.
E ninguém avalia a postura dos alunos e dos pais? A falta de material, de emprenho, de responsabilidade, a ausência de regras e a preguiça do aluno, não contam? E o que dizer da falta de acompanhamento em casa e da vida escolar, de educação pelo exemplo, de responsabilização do seu rebento e de envolvimento parental por parte de pais ausentes?
Estamos a criar uma geração ainda mais irresponsável, indisciplinada, imatura e egoísta do que a geração dos seus pais, primogénitos desta política do facilitismo.


As reuniões alastram-se ad eternum como uma maratona de resistência, até os professores cederem e lá passarem o aluno. Então, se o jovem tiver feito alguns tpc, só tiver perturbado as aulas esporadicamente ou sido indisciplinado de vez em quando sem ter espancado ninguém, serve na perfeição para somar os pozinhos mágicos para justificar o miserável nível três. Se nem isso se puder arranjar, então aproveita-se o facto de, pelo menos, ter estado de corpo presente nas aulas. De um lado, o docente tem este escape para onde é empurrado por toda a máquina que está montada pelas instâncias superiores; do outro – se quiser ser defensor da verdade e da justiça na avaliação – terá de preencher mais um amontoado de documentos e justificações a dar a tudo e a todos. Pai e aluno nada têm a ver com isso. O professor – esse incompetente que foi incapaz de dar uma resposta pedagógica acertada para motivar, ensinar e apoiar suficientemente o aluno para que passasse – é quem tem de dar justificações que convençam colegas, Direção, pais e aluno, isso caso não queria ter, também, de prestar contas à tutela pondo em causa o seu ganha-pão.


Beatificaram-se os meninos, a quem nada se exige e tudo lhes é devido, mesmo que a geração adulta viva em grande aperto financeiro. Desde roupa de marca, gadgets, net, jogos e toda a panóplia de brinquedos caros da moda, tudo contribuiu no processo de premeio sem esforço no qual se foram deseducando os filhos, sendo a escola obrigada a compactuar com este embuste educacional.
Depois, ainda existe aquela figura totalitária que controla os destinos dos professores. Se numas escolas o diretor se comporta como um parceiro facilitador do trabalho dos colegas, noutras há em que a arrogância e a insensibilidade do pequeno ditador conseguem ultrapassar a da própria tutela, transformando o trabalho dos professores num purgatório. Figuras, essas, que têm como prioridade satisfazer os pais e os alunos, olhando para os colegas como subalternos que não podem beliscar os seus propósitos megalómanos que nada têm a ver com a qualidade do ensino.


Os pais, que em grande parte apenas veem a escola como um depósito onde possam deixar os filhos e só se lembram da utilidade desta uns meses depois, quando precisam que os seus descendentes passem de ano, têm mais importância aos olhos de tutela e direções do que os infelizes dos professores, que consumiram centenas de horas na escola, entre burocracia e pedagogia com os seus alunos e cuja opinião, no final, pouco conta. É toda uma subversão de prioridades, valores e responsabilidades que deixa o ensino à mercê de uma sociedade decadente que se vai atolando num pântano de mediocridade crescente que inunda as escolas; escolas onde mandam mais os de fora do que aqueles que lá estão dentro, desde a altura em que inventaram os rankings e o diretor passou a ser eleito por todos menos pelos professores.


Professores que são vistos como um obstáculo à necessidade eleitoralista dos governos de apresentarem números espantosos de sucesso escolar. Por isso, há que criar obstáculos aos que queiram dar negativas e fazer a vida num inferno para o caso de equacionarem, sequer, reprovar um louvável aluno candidato a abrilhantar os números das estatísticas. Para os profetas das novas pedagogias da desresponsabilização e dos psicólogos emissários do perdão, o vocábulo “negativa” passou a ser palavra maldita e obscena, por traumatizar as criancinhas, muitas delas já com barba; solução – substituir por outras palavras mais doces cujo significado os alunos nem entendem e, de preferência, para que não haja complicações, abolir mesmo as negativas das escolas para todos viverem em paz e harmonia. Ámen!
Não é, pois, nenhum mistério o motivo pelo qual, nos dias de hoje, os professores evitam dar as tão esconjuradas “negativas”.


Um panorama claramente intimidatório e desencorajador orquestrado por uma classe política criminosa que está a destruir os valores, a exigência e a responsabilidade em favor da criação de uma sociedade medíocre que serve na perfeição os seus interesses. Estadistas que, verbalmente, são vigorosos defensores da escola pública, mas que, na prática, preferem ter os seus filhos nos colégios privados onde estão a salvo das políticas promotoras da ignorância ditadas pelos seus papás.
Tudo isto e muito mais transformou a profissão docente num ofício desprezado que está já a ser abandonado. Poucos são os que ainda querem enveredar por este caminho devido à enorme instabilidade, ao mau ambiente reinante e ao bournout resultante de burocracia e pressão intermináveis, contribuindo para a ruína de uma sociedade sem futuro onde começa a abundar a falta de valores e de polidez. Com este facilitismo instalado, o défice de exigência e o desprezo por valores e pelo mérito, estamos a criar futuros cidadãos sem criatividade nem espírito crítico, ignorantes, preguiçosos, parasitas, irresponsáveis e sem civismo nem respeito pelos outros.


De resto, uma espécie de professores em vias de extinção, ainda luta recusando-se a entregar a avaliação e o processo educativo a pais cuja única aspiração é a de que o seu filho tenha positiva e passe de ano; que rejeitam abrir mão do que ainda resta do ensino e deixar definitivamente que se veja a escola apenas como um armazém de alunos onde um aglomerado de professores os vai ocupando enquanto os pais estão a trabalhar.


Assim aconteceu, ao fim de mais um dia de avaliações…
Parco nas palavras, regressamos a casa na companhia das nuvens que abandonaram o firmamento para pairar incriminatórias sobre as nossas cabeças, testemunhas oculares da culpa que carregamos na pasta por sentirmos que, de certa forma, prostituímos a nossa dignidade profissional.


Outrora, eu tivera um sonho; um sonho que vai ficando cada vez mais distante neste falso mundo pré-feito…

                Carlos Santos


NOTA À MARGEM DO AUTOR DESTE ARTIGO
sobre alguns BIGORRILHAS docentes:

No meio deste vergonhoso retrato do que se passa no ensino há muitas décadas, há ainda a ressaltar os docentes-mercenários que, mais papistas do que o papa e engajados ideologicamente com este Sistema, tentam condicionar os colegas a esta repugnante política de falso sucesso.

Senão vejamos:

São estas bigorrilhas que, apesar da falta de sucesso de muitos alunos, não dão uma única negativa com vistas ao seu próprio sucesso pessoal.

São estas bigorrilhas que, condicionados pela ideologia dominante, vão para as reuniões de avaliação a propor sistemáticas subida de notas a alunos com 4 ou até 5 negativas, para que as respectivas escolas, e principalmente eles próprios, fiquem bem (mal) nos rankings de sucesso.

São estas bigorrilhas que verberam os colegas que honestamente dão notas onde há algumas merecidas negativas.

São estas bigorrilhas que, para terem bons comportamentos e vincularem a sua ideologia de esquerda, transformam dezenas de aulas sucessivas do 3.º Ciclo numa espécie de “Cinema Paraíso”, com a projecção aula a aula, nem sempre correctamente sumariadas para ocultarem o embuste, de sucessivos episódios dos filmes: «Conta-me como foi» e «25 Abril»..., deste modo o tempo vai passando, mantendo a passividade dos discentes e furtando-se o bigorrilha à indisciplina que grassa na escola portuguesa...

São estes bigorrilhas que engendram Unidades de Trabalho nas quais os seus alunos passam muitas dezenas de horas, por vezes até meses, a fazer muitas centenas, senão milhares, de cravos vermelhos em papel para as suas comemorações da revolução do 25 de Abril; assim como milhares de estrelas de Natal para decorar as frondosas árvores do recreio e do interior das respectivas escolas...

São alguns deste bigorrilhas que perdem aulas inteiras a investigar se os “militares de Abril usavam botas de cor preta ou castanha”, pois, a televisão da época, eram só a preto e branco...

São alguns destes bigorrilhas que, muitos deles já com 40 anos ou mais, após muitos anos de docência sem as habilitações mínimas recomendáveis, ascenderam às respectivas licenciaturas – nem sempre na sua área de docência –, graças a um “habilidoso” processo de “equivalências”, assim como fazem dezenas de acções de formação, muitas delas sob temas hilariantes em relação à sua área de docência. Tudo isto sob um governo de um habilidoso e competente “licenciado” ao domingo...

São estes bigorrilhas que, para demonstrar o seu domínio (?) da informática, engendram testes feitos pela NET, que os alunos resolvem em casa com o auxílio de quem esteja por perto, com o objectivo de os avaliar todos com 5, que é a nota máxima. Assim se obtém o sucesso do “bom” professor e da respectiva turma. Os colegas que não alinharem em mais este embuste serão rotulados de “incompetentes”.

Quanto ao valor real destes competentes bigorrilhas, basta ler a redacção das suas actas, a estrutura do seu discurso verbal, e observar o seu “background” cultural ...

Deste modo, estamos a comprometer as gerações mais jovens com os exemplos que lhes damos e com a cobardia própria de quem, de modo vesgo, apenas olha para o seu umbigo...

                JT

PELÁGIO, ou PELAYO (685?–737) - Invasão islâmica na Península Ibérica.

 

D. PELAYO (685? – 737),
Espanha, Astúrias, Cangas de Onis.


PELÁGIO, ou PELAYO (685? – 737)
Um dos primeiros chefes visigodos a enfrentar a invasão islâmica na Península Ibérica.

Perante a actual e silenciosa invasão islâmica da Europa, da qual participam muitos "sicários da facada", vamos vendo alguns autarcas Lusos a promoverem a construção de mesquitas, numa traição sem nome à memória de Pelágio.

PELÁGIO e a reconquista cristã*

«Mais ou menos no início do oitavo século depois de Cristo, por volta do ano 711, a Península Ibérica foi invadida por hordas de muçulmanos, comandadas por Tarik ibn-Ziyad, o que levou os visigodos cristãos que viviam na Ibéria a recuar para norte, principalmente para as Astúrias que, pelas suas características de altas montanhas escarpadas, colocava grandes dificuldades ao domínio muçulmano. O período entre os anos 711 e 1492, foi palco da recristianização da região, ocorrendo, por isso, longo processo de lutas contra os muçulmanos. É durante esta fase que se dá o aparecimento do Reino de Portugal e de diversos outros na Península Ibérica. Chamamos Reconquista Cristã ao movimento cristão que visava à recuperação pelos Visigodos cristãos das terras perdidas para o islamismo.

Astúrias, Picos da Europa.

Os muçulmanos não conseguiam ocupar a região montanhosa das Astúrias onde resistiam muitos visigodos e foi aí que surgiu Pelágio (ou Pelaio) que se pôs à frente dos refugiados, iniciando imediatamente um movimento de guerrilha.

A guerrilha tinha, como já dissemos, um objectivo: reapoderarem-se das suas terras e de tudo o que nelas existia. .

Vamos então falar de Pelágio.

Pelágio, ou Pelayo, foi o fundador do Reino das Astúrias e o seu primeiro rei entre 718 e 737.

Dom Pelágio, juntamente com outros nobres Visigodos foram presos em 716, por ordem de Munuza, o governador muçulmano das Astúrias, e enviados para a sede do reino, em Córdova.

Pelágio conseguiu fugir, e voltou para as Astúrias refugiando-se nas montanhas de Cangas de Onis. Em 718, D. Pelágio reuniu um grupo de seguidores e iniciou a resistência ao invasor islamita, inicialmente com escaramuças contra pequenos destacamentos militares das povoações e, mais tarde, em luta aberta.

Astúrias, Santuário de Covadonga.

Em 722, o wali Ambasa enviou um grande contingente militar contra os resistentes de Pelágio. Este acabou por vencer nas altas montanhas de Covadonga. Esta batalha é considerada como o ponto de partida da reconquista cristã.

Após esta vitória, o povo asturiano uniu-se e rebelou-se provocando muitas baixas entre os mouros. O governador, Munuza, organizou outra força para confrontar o exército rebelde. mas Pelágio venceu novamente e Munuza morreu. Pelágio foi aclamado rei e fundou então o Reino das Astúrias instalando a, sua corte em Cangas de Onís.

Astúrias, Santuário de Covadonga,
Tumba de Pelágio (685?–737).


Com o reino consolidado, D. Pelágio, veio a falecer de morte natural em Cangas de Onís, no ano 737. Foi sepultado na igreja de Santa Eulália de Abamia, próxima a Covadonga que ele havia fundado. Nesta igreja ainda existe o dólmen sob o qual ele foi inicialmente sepultado. Posteriormente seus restos foram trasladados por Alfonso X para o Santuário de Covadonga. De sua mulher Gaudiosa, teve Fávila, seu sucessor no trono, e Ermesinda, que viria a desposar D. Afonso I, de Astúrias, filho de Pedro, duque da Cantábria. As altas montanhas desta zona asturiana são designadas de PICOS DA EUROPA.» 

*Créditos: Joaquim Nogueira, no seu blogue «NOVAS ... Um pouco do saber para todos»


2021-06-15

A FARSA DO AQUECIMENTO GLOBAL ???? - O maior embuste dos tempos modernos...

 


A GRETA THUNBERG é o maior embuste dos tempos modernos. 

Uma verdadeira farsa para nos impor novos modelos de negócio relativos às novas formas de energia, assim como para nos massacrar com impostos.
Está ao serviço da esquerda política no seu projecto de globalização, fomentado por GEORGE SOROS através da pretensa agência filantrópica a «Open Society Foundation», com a qual ele quer dominar o mundo e deitar as mãos aos recursos do planeta, nomeadamente ao nióbio da Amazónia (75% das reservas mundiais).
Há milhões de anos que o clima do planeta vai alternando entre frio/calor, dilúvios e inundações catastróficas, extinção de milhares de espécies, quando nem sequer havia poluição industrial ou automóvel.
Três a cinco das grandes extinções em massa no nosso planeta estão documentadas geologicamente. A saber, os eventos de extinção foram no Ordoviciano superior, no Devoniano superior, no fim do Permiano, no Triássico superior e no fim do Cretáceo; desde há 400 milhões de anos, até aos nossos dias.
Pois é GRETA/SOROS...
Nem todos somos burros, manipulados por uma qualquer macaquinha amestrada ...

 

A FARSA DO AQUECIMENTO GLOBAL ????

«A redução da temperatura terrestre durante os próximos 30 anos pode ter implicações importantes para diferentes partes do planeta no crescimento da vegetação, agricultura, suprimentos de alimentos e necessidades de aquecimento nos hemisférios norte e sul. Este resfriamento global durante o próximo grande mínimo solar 1 (2020–2053) pode compensar por três décadas quaisquer sinais de aquecimento global e exigiria esforços intergovernamentais para resolver os problemas com o fornecimento de calor e alimentos para toda a população da Terra.» 
in Valentina Zharkova*, “Modern Grand Solar Minimum will lead to terrestrial cooling”.

Published online: 04 Aug 2020;
https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/23328940.2020.1796243


                                       *  Valentina Zharkova, Northumbria University de Newcastle – Department of
                                                        Mathematics, Physics and Electrical Engineering, BSc, MSc , PhD, FRAS.

2021-03-22

AGORA COMEÇO A ENTENDER A JUSTIÇA EM PORTUGAL




«Era a Misericórdia, afirma Vieira (1990), que fornecia a corda para os enforcamentos. Às vezes, por compaixão, lavavam-na em água-forte (ácido nítrico) para que partisse. 
Quando tal acontecia, colocavam por cima do condenado a bandeira da Misericórdia e este era perdoado.»
(in António Romeiro, "Misericórdias do Concelho de Idanha-a-Nova",  2017, p. 21.

 
Assim funcionava, e funciona, a justiça em Portugal, com políticos, banqueiros e capatazes políticos vários.
Com atrasos e delongas, inquéritos intermináveis, encobrimentos, erros processuais, recursos infindáveis, impunidades cúmplices, deixando os salafrários à solta até à prescrição… 

“Para fazer a justiça é preciso tempo”, sentenciou um polémico juiz de um dos casos mais mediáticos que se arrasta há mais de dez anos”. O tempo necessário para “tratar” a corda com a água-forte de modo a que esta rebente? … questionamos nós.
Depois vem a “irmandade” e coloca sobre eles a bandeira do perdão…

Temos o país que merecemos, no intervalo do futebol e da telenovela…
Acontece que entre esta justiça e a pornografia pura e dura não há diferença.

Por isso, aqui deixo um grande abraço de remissão a todos os corruptos Lusos que aguardam a corda embebida em água-forte ....

2019-07-29

O TERRORISMO DA CLIMATOLOGIA




(Paris com –40º, até a tinta congela na extremidade da caneta)

Estamos cientes que vivemos numa época de aparente conhecimento no domínio da climatologia, mas, na realidade, vivemos aflitivamente sob de uma profunda ignorância que aproveita ao terrorismo climatológico – sabe-se lá com que interesses inconfessáveis...
Estará o clima a mudar? De todo, não nos parece e, se estivermos mesmo perante uma alteração, é um processo muito lento e natural, no qual a intervenção humana tem pouca relevância. Lembremos as várias glaciações que conhecemos…
Apenas não temos uma linha cronológica, com meios audiovisuais que nos mostrem a evolução climática do nosso passado próximo.
Recorrendo à história, só na Europa, podemos constatar longos Invernos com temperaturas baixíssimas, e Verões sucessivos com estiagens muitíssimo prolongadas, tanto no XIV e XV, como desde o século XVII ao século XX.
Há imensos relatos escritos sobre estes acontecimentos. Porém, não tivemos, no passado, uma máfia de interesse económicos ligados à indústria do fogo, nem uma comunicação audiovisual a amplificar e a incentivar a histeria colectiva.
Estas ocorrências climatéricas inesperadas, levaram à fome de milhões de seres humanos na Europa – já para não falar na China e na Índia –, à propagação de doenças, com as consequentes guerras e revoltas de diversas populações asfixiadas com impostos elevados devido às crises que estas situações provocavam.
Por tudo isto, não levamos, tal como vários países, muito a sério o “Acordo de Paris” (2015) que no Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC) pretende reduzir a emissão de gases estufa.
As variações que constatamos, sempre existiram, e sempre existirão.
Desde a origem da Terra, já se extinguiram milhões de espécies, e muitos outros milhões se extinguirão até ao final dos tempos.
É a evolução natural.
Devemos tentar reduzir a poluição, para melhorar o clima. Mas sem histerismos…

Vejamos um só exemplo:

UM ANO FATÍDICO – 1709
(Paris com – 40º, até a tinta congela na extremidade da caneta)
O ano de 1709 marcou o início da actividade diplomática do 4.º conde de Tarouca. (…), quando «O Inverno rigoroso tinha paralisado a economia francesa desde Janeiro». Há relatos da época que apontavam para temperaturas abaixo dos -40º. O Sena gelara, a fome instalara-se no país e as revoltas chegavam até ao coração do poder. Sobre Versalhes marchou uma multidão de miseráveis provenientes de toda a França.
Uma nota da marquesa d’Huxelles para o marido, Nicolas d’Huxelles, marechal e diplomata francês encarregado de negociar a paz desde 1710, revela a situação melhor que muitas palavras: “Les nouvelles sont courtes, Monsieur, l’encre gèle au bout de la plume.(a tinta congela na extremidade da caneta)».

In SUMMAVIELLE, Isabel Maria de Araújo Lima Cluy, O Conde de Tarouca e a diplomacia na Época Moderna. Lisboa, Livros Horizonte, 2006, p. 150.

Deixem-nos em Paz
Deixem-se de alarmismos.

João Trigueiros

2019-07-16

ALDEIA DE JOANES / ALDEIA NOVA DO CABO (Fundão) – CAPELA TRANSFORMADA EM POSTO DE CORREIOS


Capela / Balcão dos CTT,
Aldeia Nova do Cabo.
Fundão, Aldeia Nova do Cabo, 
Solar dos Condes de Tondela (actual junta de freguesia)
























Aldeia Nova do Cabo 

Fundão, Aldeia Nova do Cabo, Solar dos Condes de Tondela
(actual junta de freguesia)
De passagem pelas diversas aldeias do concelho do Fundão, quase sempre ficamos surpreendidos por alguns aspectos pitorescos que nos tocam positivamente; assim como alguns atropelos que resultam da falta de sensibilidade dos seus autores, como é o caso aqui constatado.
Em Aldeia de Joanes e Aldeia Nova do Cabo, desta vez, deparamo-nos com um atropelo de mau gosto à sensibilidade estética da população, senão à religiosidade de alguns crentes.

Referimo-nos a um posto de correios – loja CTT – instalado na capela da antiga casa dos Condes de Tondela (1861), a qual foi ocupada na sequência da revolução do 25 de Abril de 1974 e é actualmente sede da respectiva Junta de Freguesia de Aldeia Nova do Cabo.

Esta casa e respectiva capela foi mandada edificar em 1861 por PEDRO DE ARAGÃO DA COSTA SÁ VICTORIA (n. 1819), nascido a 18-X-1819 na Quinta da Ponte, freguesia da Faia, concelho da Guarda, o qual veio residir em Aldeia Nova do Cabo, Fundão, onde tinha um apreciável património fundiário por herança de seus pais Bartolomeu de Aragão da Costa Tavares e Sá (c. 1780) e D. Maria Joana Roede da Vitória (n. 1782), 2ª baronesa de Tondela.

Perante a alteração de funções deste pequeno orago católico — outrora destinado à comunicação com Deus e agora virado às profanas e rentáveis comunicações postais —, não ficaríamos muito surpreendidos, não fosse a permanência no seu altar-mor da imagem de Nossa Senhora de Fátima ladeada por dois modelos de embalagens postais de caixas de cartão, à laia de querubins, numa espécie de instalação plástica surrealista digna do Teatro-Museu Dali em Figueres (Catalunha).

Tudo isto com um balcão no lugar do altar onde um funcionário atende à maneira de um celebrante da Missa "de frente para o povo", tendo à sua frente um monitor de computador. Os diversos ícones religiosos foram substituídos por inúmeras bugigangas das que actualmente são vendidas neste tipo de lojas: tais como frascos de compotas e mel da região, ao lado da pia de água benta de granito adossada na parede, e uma mostra museológica de instrumentos musicais de uma antiga banda de música desta freguesia – numa parafernália que aparenta a sua inspiração na malícia do Daesh.
Mesmo defronte deste solar, no outro lado da rua, a existência de duas antigas e amplas cocheiras, permitiriam a instalação destes serviços sem atropelos de mau gosto, e sem a profanação pagã deste orago …
Esta visão, trouxe-nos à memória as muitas barbaridades ocorridas neste país com a extinção das ordens religiosas após as Lutas Liberais (1834), e a Primeira República (1910); acontecimentos estes que, aqui na Beira, levaram à alienação de muitos pequenos templos religiosos, dos quais alguns foram demolidos, ou alienados e convertidos em estábulos, arrumos agrícolas e adegas — dispersando e vandalizando o seu património artístico …



Aldeia de Joanes

Fundão, Aldeia de Joanes, Igreja de São Pedro.
Já agora, deixamos aqui uma chamada de atenção para algumas modernices, entre muitas outras, que são um atentado ao património edificado da contígua freguesia de Aldeia de Joanes.
A sua antiquíssima Igreja de São Pedro (1233?), de traça ainda românica, que esteve inicialmente sobre a alçada da Ordem do Templo, começa a testemunhar a iniciativa “modernizadora” dos seus autarcas que, deste modo, querem deixar obra.  
Uma destas é uma moderna capela mortuária, que em nossa opinião foi abusivamente edificada à ilharga desta igreja, não a respeitando pelo seu pouco distanciamento, nem pelos materiais utilizados, nem pelo cromatismo das suas paredes; o que compromete a integridade da vetusta igreja que lhe está próxima demais.
A este conjunto, acrescentaram ainda uma dissonante e desproporcionada luminária modernista, que completa o mau gosto que vai imperando no património concelhio.


Aldeia de Joanes, Igreja de São Pedro,
e Capela Mortuária
Aldeia de Joanes, Capela Mortuária.
(Tem anexa uma capela mortuuária "modernista")


















O Museu Arqueológico Municipal Dr. José Monteiro, do Fundão, tem uma direcção e uma equipa técnica com sensibilidade, competência e conhecimentos, no domínio do Património e da Museologia, que é uma mais valia para acompanhamento destas pequenas obras e muito contribuiria para evitar estes equívocos...

Assim o queiram as diversas juntas de freguesia.
Aqui fica a sugestão.


    João Trigueiros
Aldeia de Joanes, Igreja de São Pedro,
com luminária "modernista".





















Adenda:


UM POUCO DE TRANQUILIDADE NO DESASSOSSEGO

Jamais questionamos a existência de uma estação de Correios em Aldeia Nova do Cabo, e até sugerimos, em alternativa a esta, a sua instalação numa edificação fronteira ao solar, no outro lado da rua. Para os moradores da freguesia, esta alteração não faria a mínima diferença.

Se a população encara com naturalidade a instalação desses serviços neste local, à mistura com compotas, instrumentos de música, e ícones religiosos, por iniciativa de uma junta de freguesia de um estado laico, até ficamos muito felizes. A população local, deste modo, demonstra o seu grande sentido de humor – que nós muito apreciamos – e o seu interesse estético pelo surrealismo… A nosso alerta aqui expresso – ao contrário do que alguns pretendem –, nada tem de motivação eleitoral, até porque actualmente sentimos alguma repulsa pela política, da maneira como tem sido exercida nas últimas décadas. Neste caso, apenas as questões estéticas e patrimoniais, por uma questão de gosto pessoal e de formação académica, foram a nossa única motivação.

Dos poucos políticos locais que conhecemos pessoalmente, um dos únicos é o empenhado Dr. Paulo Fernades, presidente da C.M.F, com o qual privamos ainda ele era um “outsider” da política. Para ele vai a nossa admiração, pelo trabalho realizado e pela sua coragem em dar o corpo às balas na sua ingrata tarefa. Dos presidentes de junta, não conhecemos nenhum, tampouco as suas filiações partidárias, pelo que qualquer crítica – como a que nos foi feita através da Rádio Renascença / Sapo – não tem a menor sustentação como motivação política.

Nada nos chocou – longe disso –, que a funcionalidade desta capela fosse alterada em prol de uma população carente de serviços públicos, desde que despojada de todos os símbolos religiosos, e pautada por algum bom-gosto – o que não é este o caso … Daí a nossa crítica.

Mas, como diz o Quim Barreiros na música “O Peixe”, “cada um come o que gosta” …