Eng. Valdemar Caldeira (1941-2019)
O seu exemplo foi um safanão que nos torna a todos mais
pequenos perante a sua lição de vida.
O engenheiro químico Valdemar Caldeira, antigo e efémero
professor da Universidade de Coimbra, cidade onde residiu e onde era admirado
com respeito por quem o conhecia, senhor de uma invulgar sabedoria e
sensibilidade, era natural do concelho de Montemor-o-Velho. Rejeitando as
vaidades deste mundo, dedicou a sua fortuna aos pobres dando quase tudo o que
tinha aos mais carenciados, vivendo humildemente como um eremita dos tempos
modernos. Marginalizou-se e viveu com condições mínimas de sobrevivência e já
com assomos de demência que lhe abreviou a existência.
Filho de uma família abastada com origem na Carapinheira,
rejeitou a reforma do Estado e dava explicações gratuitas de Matemática aos
alunos.
Solidário, modesto sem falsidade, a ostentação e a vaidade
não faziam parte do seu universo cristalino que estava mais próximo da
simplicidade do “Poverello de Assis”.
Felizmente que, num universo com muita gente supérflua,
ainda encontramos seres assim. A sua grandeza, mesmo tocada pela loucura,
serviu de exemplo à salvação de uma humanidade perdida que apenas valoriza as
aparências sem conteúdo, a imposturice sem lastro e o efémero…
Pago aqui o meu tributo à nobreza deste ser inigualável que
se foi libertando de tudo o que o prendia a este mundo que rejeitava e, tal
como o Ícaro da mitologia grega, na sua ânsia de voar, acabou por soçobrar –
talvez no Paraíso, pois era um crente fervoroso…
“Tudo o que é grande foge da praça pública e da fama”, como
ensinou Frederico Nietzsche.
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Testemunho:

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