«Obras de caca.
Não, o que estão a ver na foto, não é o meu roupeiro. Nem o da loja do chinês ou do hipermercado onde eu compro roupa.
O que os vossos olhinhos lindos estão a ver, é uma “obra de arte”.
Uns blusões coloridos pendurados num varão.
Tal e qual!
E por “ela”, vós, sim, vós e eu, pagámos €79.950
Tal e qual!
Está “arrecadada” na arrecadação da caca.
Eu conto tudo.
Em Portugal, há uma “coisa” chamada estado, que criou um
Ministério da Cultura, com sede no palácio da Ajuda. Que por sua vez
“constituiu” uma “empresa” chamada “MM”(museus e monumentos).
Que “nomeou” uma comissão com 6 criaturas/artistas para
adquirir “obras de arte”:
Comissão de Aquisições Arte Contemporânea.
É a CACA!
E a bem da transparência, a lei impõe que a caca, divulgue
o que comprou no ano anterior, os nomes dos felicíssimos contemplados com a
lotaria, as fotos e os preços.
Podeis ver isso no relatório da caca. Está lá esta.
Sim, 79.950 mocas, foi quanto saiu do meu bolso e do vosso,
para comprar os blusões de cabedal usados, pendurados no varão, para irem para
o “depósito” da CACA.
Eu acho muitíssimo bem!
Até porque com as alterações climáticas, nunca se sabe
quando faz frio ou calor, está um tempo de caca. E portanto, a malta da caca
preveniu-se. Se fizer frio levam um blusão, da caca.
São tantos que ninguém nota a falta. Além desta “obra”
genial, podemos ver no relatório idênticas “obras de caca”, com idêntica
profundidade, textura, luminosidade, utilidade e PREÇO.
É o elogio de performance!
Nadam em dinheiro.
Há dias, no centro de saúde, a médica não conseguia
imprimir uma declaração de presença porque não tinha tinta na impressora, no
tribunal o escrivão um despacho, porque não havia papel.
Eu compreendo!
É preciso muita massa para comprar obras de caca, a peso de
ouro.
Ai e tal, tu parece que não gostas é de arte, és um
brugesso, um campónio e outros mimosos mimos com que vossas “insolências” me
vireis mimosear.
Gosto sim!
Devo ter mais de 200 gravuritas penduradas pelas paredes,
pagas do meu bolso.
A partir de agora vou mas é pedir umas emprestadas à caca.
O crítico de arte Pomar, perguntava há dias no Público,
após ler o relatório da caca :
“A Judite já vai a caminho?”
Não tardará!»*
* Varela de Matos.
**É fundamental conhecer os ilustres membros da CACA — essa
comissão que, com notável desenvoltura, administra o dinheiro do contribuinte
enquanto nos brinda com o seu apuradíssimo bom gosto e inquestionável
brilhantismo intelectual.**
Já que devemos ser gratos por tão elevada curadoria, apresento‑vos, com a devida vénia, os seus digníssimos protagonistas — verdadeiros faróis culturais que iluminam o erário público com a mesma leveza com que o esvaziam:
- **Sandra Vieira Jürgens** — a guardiã da crítica de arte, cuja pena é tão fina que quase não se nota quando passa por cima do orçamento.
- **David Teles Pereira** — o emissário ministerial, sempre
pronto a assegurar que a cultura avança… sobretudo para a folha de
despesas.
- **Emília Tavares** — curadora veterana, especialista em
transformar qualquer aquisição numa inevitabilidade estética.
- **António Olaio** — artista e académico, mestre na arte
de explicar porque é que *esta* obra, precisamente esta, merece ser comprada
com urgência.
- **Fernanda Fragateiro** — cuja sensibilidade artística é
tão apurada que até o contribuinte quase se sente honrado por financiar a
visão.
- **Luísa Abreu** — programadora e artista, capaz de
encontrar significado profundo até no vazio… especialmente no vazio da conta
pública.
- **Miguel von Hafe Pérez** — curador de renome, sempre
pronto a garantir que o Estado não falha na sua missão de colecionar o que é
“essencial”.
- **Luís Silva** — o estratega da contemporaneidade, cuja
presença assegura que nada escapa ao radar conceptual — nem o orçamento.
E assim se completa o elenco desta ópera contemporânea financiada pelo contribuinte — um coro afinadíssimo na arte de decidir o que é “património” e o que é apenas mais uma fatura para pagar.
A nós, humildes espectadores, resta aplaudir de pé o seu
génio curatorial, agradecer a generosidade com que gastam o nosso dinheiro e
esperar, com a reverência devida, pela próxima aquisição “indispensável”.
Afinal, quem somos nós para questionar tamanha iluminação
estética? Somos apenas quem paga.
JT

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