2026-06-29

Declarações de um tal CARLÃO no Rock in Rio Grande ̶ Lisboa (2026)

 

Carlão


Ó CARLÃO, meu estratega de café! 

Agradecemos a tua inquietação com a “ascensão da extremadireita e do fascismo. É comovente, quase enternecedor. Só há um pequeno detalhe: essa tal extremadireita que te atormenta nem sequer conseguiu pôr um pé na Assembleia da República, quanto mais no governo.

O nosso verdadeiro problema não é a ameaça imaginária que tu vês ao longe — é o facto de tu não saberes distinguir uma ditadura corporativa de um fascismo à Mussolini ou à Hitler. Para ti, tudo o que não cabe na tua playlist ideológica é fascismo.

E já agora, Carlão, enquanto te ocupas a cantar loas ao perigo inexistente, os teus amigos — e amigas do peito — continuam alegremente a capturar os recursos públicos para subsidiar as vossas cantorias e parvoíces, essas obrasprimas produzidas pelos vossos neurónios em modo de poupança energética.

No fundo, o fascismo que mais nos preocupa é o teu: o fascismo intelectual, aquele que transforma ignorância em convicção e convicção em espectáculo.

Pois, cada vez que abres a boca para anunciar a “ascensão da extremadireita”, parece que estás a lançar um novo single: muito drama, pouca substância e zero factchecking. A extremadireita, segundo tu, já anda a rondar as portas da democracia como se fosse um DJ atrasado para o set — pena é que, na realidade, ainda nem conseguiu entrar na discoteca.

Depois vens com o teu clássico: “Agora os racistas assumemse. Pois claro, Carlão, obrigado pela revelação sociológica que ninguém pediu. É sempre reconfortante ouvir análises profundas de quem acha que o país está à beira do abismo porque meia dúzia de comentários no Twitter ficaram mais barulhentos.

E quando decides falar de política internacional, então é que a festa pega fogo: Trump vira “pato donald”, Elon Musk vira “palhaço do X”, e tu transformas a geopolítica numa espécie de standup mal ensaiado.

No fundo, Carlão, tu és o único artista capaz de transformar preocupações vagas em profecias apocalípticas, e opiniões de café em alertas democráticos. A tua análise política tem a profundidade de uma story de 15 segundos — mas com a vantagem de ser subsidiada.

Continua, Carlão. Cada vez que falas, a democracia treme… mas só de rir.


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