2026-09-03

LUÍS NEVES, ministro das trapalhadas e incompetência...

 Puro humor...


Lavrentiy Beria (1899-1953), esse artesão da sombra, foi o maestro mais longevo da polícia secreta soviética — um funcionário tão dedicado que transformou o terror num expediente administrativo. Subiu pelo Partido como quem escala uma pilha de cadáveres, até se instalar ao lado de Stalin, onde coordenou expurgos, Gulags e toda a engenharia da crueldade que o regime exigia. Ambição febril, astúcia oleosa, uma sede de poder que nem os próprios fantasmas conseguiam saciar — Beria era isso tudo, e ainda mais.

Depois, quando o protetor morreu, o destino fez-lhe a cortesia de um julgamento rápido e uma execução ainda mais rápida. Décadas depois (nos anos 90), encontraram cadáveres enterrados junto à sua casa de Moscovo — lembranças discretas de serviços prestados.

E agora, o nosso Beria figurado… esse não precisa de pistolas nem de caves de tortura. Basta-lhe o silêncio dos outros.

Quantos “expurgos” conhece, quantas vidas tem penduradas nos cordéis da sua influência, quantas bocas aprendeu a fechar sem levantar a voz. Não mata ninguém — não precisa.

Há quem se cale por antecipação, por prudência, por medo, ou simplesmente porque já percebeu que, perante ele, falar é uma forma lenta de suicídio social.

Quantos segredos conhecerá? Quantas pessoas terá nas mãos? Quantas bocas terão aprendido, por prudência, a permanecer fechadas?

Hoje já não é preciso uma polícia secreta. Bastam poder, influência, alguns dossiers e uma boa capacidade para lembrar aos outros aquilo que eles preferiam esquecer.

Naturalmente, isto é apenas uma comparação.

Qualquer semelhança com a realidade será, evidentemente, mera coincidência — dessas coincidências que, por medo e cobardia, fazem muita gente ficar subitamente muito calada.

Estejam descansados, o nosso Beria Luso, não enterra cadáveres no quintal. Enterra consciências. E fá-lo com a mesma eficiência burocrática do original.

Ele, ofegante, esbraceja e esforçase por calar tudo à sua volta, como um zelador do silêncio alheio. Mas há sempre aquele “único homem de coragem” que lhe escapa — determinado, persistente e absolutamente convicto de que a sua voz não é para arquivar. O tirano metafórico tenta, insiste, aperta… e ele continua a falar, com a serenidade de quem sabe que não se dobra e é a única nota dissonante que o maestro do silêncio não consegue abafar – de seu nome ANDRÉ VENTURA.